Entenda leilão que entregou à iniciativa privada manutenção de 95 escolas estaduais de MG

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Escola Estadual Reny de Souza Lima, em Santa Luzia, faz parte do leilão do governo de MG TV Globo/ Reprodução A iniciativa privada deve assumir, nos próximos meses, a manutenção e a gestão de serviços não pedagógicos de 95 escolas estaduais de Minas Gerais. No último dia 30, o IG4 BTG Pactual Health Infra venceu o leilão realizado pelo governo do estado, com uma proposta de R$ 22,3 milhões de contraprestação. Esse é o montante que o fundo de investimentos deverá receber por mês para cuidar da limpeza, vigilância, manutenção predial e outros serviços nas instituições de ensino. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Entenda a partir dos pontos abaixo o que é essa Parceria Público-Privada (PPP) e o que ela muda: O que prevê a PPP? Que tipos de serviços ficarão a cargo da iniciativa privada? Onde ficam as escolas? Qual a situação dessas escolas? Quando a iniciativa privada começa a atuar nas escolas? Por que o governo defende a PPP? O que dizem os trabalhadores? O que prevê a PPP? O edital da PPP prevê uma concessão administrativa para reforma, conservação, manutenção, gestão e operação de serviços não pedagógicos em 95 escolas estaduais, distribuídas em 34 municípios. O contrato tem duração de 25 anos e estabelece investimentos de cerca de R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 1,25 bilhão para obras de modernização e R$ 3,9 bilhões para a operação e a prestação dos serviços. Que tipos de serviços ficarão a cargo da iniciativa privada? O ente privado deverá cuidar dos serviços não pedagógicos das escolas, como manutenção predial, fornecimento de utilidades (água, energia, gás e esgoto), limpeza, jardinagem, tecnologia da informação, vigilância, climatização e controle de acesso. A Opy, controlada pela IG4 Capital, será responsável pelos serviços. Onde ficam as escolas? Das 95 escolas estaduais incluídas na PPP, 34 ficam no Norte de Minas, 21, em Belo Horizonte, e 40, na Região Metropolitana. Elas têm, no total, cerca de 70 mil estudantes. Qual a situação atual dessas escolas? A maioria das escolas que fazem parte do projeto recebeu investimentos recentes do estado. Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, entre 2022 e 2025, o governo gastou R$ 42 milhões com 90 das 95 instituições de ensino, por meio do projeto "Mãos à Obra". Segundo o Executivo, "não há sobreposição de gastos, pois as melhorias já feitas são incorporadas ao projeto, enquanto a concessionária passa a ser responsável pela manutenção e operação contínua das unidades, garantindo maior eficiência e qualidade". Quando a iniciativa privada começa a atuar nas escolas? A previsão é que a empresa passe a atuar nas instituições até junho deste ano. Por que o governo defende a PPP? Segundo a secretária adjunta de Educação de Minas Gerais, Stephanie Carvalho, a concessão dos serviços não pedagógicos para a iniciativa privada vai gerar uma economia de mais de R$ 650 milhões para os cofres públicos ao longo de 25 anos. De acordo com ela, a parceria vai permitir que diretores e professores se dediquem mais às atividades pedagógicas. "O nosso objetivo é tirar o diretor da escola de ficar resolvendo pequenos problemas de infraestrutura. Ele gasta um tempo enorme para ter que ficar fazendo processo licitatório ou cotações para arrumar lâmpada, vaso sanitário e banheiro, reformar escola, pintar escola. Então, nosso objetivo é que, com essa concessão, a gente passe a liberar o tempo do diretor para cuidar da parte pedagógica, que é o nosso coração", afirmou. O que dizem os trabalhadores? O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), que representa mais de 400 mil trabalhadores, contesta a parceria. "É mais um passo do estado para a educação deixar de ser vista como um direito e passar a ser vista como uma grande mercadoria. Algumas perguntas precisam ser feitas, a gente também não sabe a resposta. Por que um grupo econômico ligado a um banco se interessa pela gestão e manutenção de escolas públicas estaduais?", questionou a coordenadora-geral do sindicato, Denise Romano. A entidade também alerta para o risco de demissões. O contrato não garante a manutenção dos empregos – diz apenas que a concessionária deverá "avaliar a possibilidade e a conveniência" de absorver profissionais anteriormente vinculados, temporários ou terceirizados contratados pela Secretaria de Educação. Sobre isso, o governo de MG afirmou que "valoriza os profissionais que já atuam nas escolas e orienta que a concessionária priorize sua contratação". O que diz a empresa? O presidente da Opy, Matheus Renault, destacou que, apesar de o banco ser investidor do fundo, a operação é exclusiva da empresa, que tem experiência nesse tipo de serviço — em Belo Horizonte, atua no Hospital do Barreiro. Agora, pela primeira vez, vai operar na educação. "A nossa ideia é conseguir transportar essa excelência e qualidade que a gente tem no hospital para dentro do ambiente escolar. O estado foca [...] na qualidade do ensino do estudante, a gente vai apenas ser o parceiro para garantir estrutura de qualidade e ambiente escolar adequado para que esse aprendizado ocorra", afirmou. Em relação à manutenção dos trabalhadores, ele disse que a empresa não tem a intenção de romper o vínculo entre alunos e funcionários. "A gente precisa que essas pessoas que têm um vínculo histórico, que tenham conhecimento e conhecem as pessoas, sejam nossos parceiros no futuro também", falou. Vídeos mais vistos no g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/04/17/entenda-leilao-que-entregou-a-iniciativa-privada-manutencao-de-95-escolas-estaduais-de-mg.ghtml


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