CPMI do INSS recebeu menos de 1% da quebra de sigilos de Vorcaro
05/03/2026
(Foto: Reprodução) Caso Master: PF investiga se Daniel Vorcaro pagou por ataque de influenciadores ao Banco Central
Jornal Nacional/ Reprodução
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que apura os descontos indevidos em aposentadorias e pensões recebeu menos de 1% dos documentos referentes a quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro, que foram enviadas para a Polícia Federal a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em dezembro passado, o então ministro-relator do caso Master no STF, Dias Toffoli, mandou o Senado Federal recolher os dados referentes a quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro que foram aprovados pela CPMI. A decisão foi revista apenas em fevereiro, já pelo novo ministro-relator, André Mendonça.
De acordo com fontes ouvidas pelo g1, entre as duas decisões, a CPMI do INSS recebeu aproximadamente 450 gigabites de documentos, a grande parte referente ao sigilo telemático disponibilizado pela Apple, contendo dados do celular do banqueiro salvos em nuvem.
Entretanto, na decisão feita pelo ministro Mendonça, ele solicitou que a Polícia Federal recolhesse os dados antes de disponibilizá-los novamente à comissão. Em um período de 12 dias, os dados que compreendiam centenas de gigas, retornaram com apenas 313 megabites em 206 arquivos.
Na decisão, o Ministro Mendonça ainda afirma que as quebras de sigilo feitas pela Polícia Federal no âmbito da investigação que corre no STF também deveriam ser disponibilizadas, mas até o momento elas não chegaram à CPMI.
Nos bastidores, a avaliação de parlamentares se divide em atribuir o “filtro” aos documentos à PF ou a Mendonça.
Na segunda-feira (2), o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que após conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, soube que os documentos passariam por um filtro antes de serem devolvidos à comissão.
"Hoje eu conversei com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei, para esclarecermos uma dúvida: a decisão do ministro André Mendonça não define, em momento algum, pelo menos não está lá, claro, que a Polícia Federal faça qualquer tipo de verificação de documentos ou filtros para entregar a comissão. Eu analisei junto com a advocacia-geral da casa e a determinação é de que nós recebamos os arquivos completos", afirmou Viana.
Outros parlamentares ouvidos pelo g1 atribuem a filtragem ao ministro-relator do caso no STF.
Caso Master: Em mensagens Vorcaro manda atacar adversários
Relação de Vorcaro com os Três Poderes
Os documentos mostram trocas de mensagens de Vorcaro com a então companheira Martha Graeff e revelam as conexões do banqueiro com integrantes dos Três Poderes.
Vorcaro conta à namorada sobre sua amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e comemora um emenda apresentada pelo senador que pretendia aumentar em quatro vezes o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A mensagem comemorando a atuação do parlamentar são de 13 de agosto de 2024, horas depois do parlamentar apresentar a emenda.
O Master passou a chamar atenção das autoridades porque utilizava um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com garantia do FGC.
Numa conversa de abril de 2025, Vorcaro conta à companheira que iria se encontrar com “alexandre moraes”, em referência ao ministro do STF.
Meses depois em agosto, revela à namorada que está “com o Alexandre” e que depois “tem uma reunião com Ciro”.
No ano passado, o jornal O Globo revelou a existência de um contrato do Master com o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões em três anos.
Em outra conversa, de 4 de dezembro de 2024, o casal conversa enquanto Vorcaro está no Palácio do Planalto para um encontro com Lula, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e, segundo ele, outros três ministros.